O mercado físico do boi gordo iniciou a semana sustentado, mas com sinais de maior cautela por parte dos frigoríficos. A indústria vem testando ofertas menores em algumas regiões, enquanto a disponibilidade mais restrita de animais terminados limita, até o momento, uma pressão baixista mais forte sobre a arroba.
Segundo levantamento da Agrifatto, o mercado físico apresentou leve valorização nas praças acompanhadas na segunda-feira (17). O Pará foi o principal destaque, com alta de 0,22%, levando a cotação média para R$ 340,27 por arroba.
Na B3, o movimento também foi positivo. O contrato do boi gordo com vencimento em outubro de 2026 avançou 1,21%, encerrando o pregão a R$ 358,30 por arroba.
Oferta de animais segue sustentando os preços
Mesmo com uma postura mais cautelosa dos frigoríficos, a oferta de gado pronto para abate continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado.
Com menor disponibilidade de animais, os pecuaristas mantêm maior poder de negociação, dificultando que as indústrias consigam impor quedas mais expressivas nas referências.
Por outro lado, o ritmo mais lento das exportações e um consumo doméstico menos aquecido entram no radar do mercado e podem aumentar a pressão sobre as cotações ao longo dos próximos dias.
Cotações seguem em patamares elevados
Levantamento da Scot Consultoria referente a 17 de agosto mostra o boi gordo em São Paulo a R$ 345,50 por arroba no pagamento à vista, enquanto o valor para 30 dias estava em R$ 350,00.
No Paraná, a referência do chamado “Boi China” estava em R$ 362,00 por arroba no prazo de 30 dias, considerando o preço bruto.
No mercado futuro, os contratos também permanecem em níveis elevados. Na B3, o vencimento de agosto fechou a R$ 347,70 por arroba, enquanto outubro ficou em R$ 358,40 e novembro em R$ 360,50.
Próximos dias serão de disputa entre indústria e pecuaristas
O cenário indica um mercado ainda firme, mas com maior disputa na formação dos preços. De um lado, frigoríficos tentam melhorar suas margens e ampliar as escalas de abate; de outro, produtores controlam a oferta diante da disponibilidade limitada de animais terminados.
A evolução das escalas dos frigoríficos, o comportamento do consumo interno e o ritmo das exportações devem ser determinantes para definir o rumo da arroba ao longo da semana.
Por enquanto, a combinação entre oferta restrita e preços sustentados mantém o mercado firme, mas os testes de compra abaixo das referências mostram que a indústria começa a buscar espaço para pressionar as cotações.