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18 de agosto de 2026 - 8:37h

A Folha Agrícola

Suinocultura do Paraguai enfrenta crise e cita entrada ilegal de Brasileiros

A suinocultura do Paraguai atravessa um período de forte pressão sobre as margens dos produtores, mesmo com o crescimento da produção e a abertura de novos mercados internacionais. A Associação Paraguaia de Produtores de Suínos (APPC) aponta a entrada irregular de animais e produtos suínos provenientes do Brasil como um dos fatores que estariam agravando o cenário.

Segundo a entidade, o valor pago aos produtores paraguaios caiu de aproximadamente 11,5 mil guaranis por quilo no início do ano para menos de 8 mil guaranis atualmente. Na conversão utilizada pela associação, isso representa uma redução de cerca de R$ 7,66 para menos de R$ 5,33 por quilo. (O Presente Rural)

Enquanto isso, o custo de produção de um suíno terminado estaria entre 7.500 e 8.500 guaranis por quilo, conforme estimativa da APPC. Um animal destinado ao abate chega a aproximadamente 110 a 115 quilos após cerca de seis meses, com custo total estimado entre 750 mil e 800 mil guaranis.

O cenário preocupa principalmente pequenos e médios produtores, que possuem menos alternativas comerciais e enfrentam maiores dificuldades para acessar diretamente supermercados e programas de compras governamentais.

Contrabando entra no centro das preocupações

Para a APPC, a diferença de preços entre a produção paraguaia e os animais brasileiros cria um incentivo para o comércio clandestino. A entidade estima que o suíno brasileiro estaria sendo comercializado ilegalmente no Paraguai por valores entre 5 mil e 6 mil guaranis por quilo, abaixo do custo estimado da produção local.

Além do impacto econômico, os produtores paraguaios demonstram preocupação com as questões sanitárias e de rastreabilidade. Animais introduzidos fora dos canais oficiais não passam pelos mesmos controles exigidos da cadeia formal.

Um caso registrado em 4 de junho reforçou o alerta. Durante uma operação conjunta, autoridades paraguaias apreenderam um caminhão transportando 40 suínos sem a identificação sanitária obrigatória. Os animais não possuíam as tatuagens exigidas nas orelhas e o veículo também não estava habilitado para realizar o transporte.

A APPC afirma que esse tipo de apreensão representaria apenas uma parcela do fluxo clandestino. A associação estima que, para cada caminhão interceptado, outros dez conseguiriam atravessar a fronteira sem serem identificados. A própria entidade ressalta que essa proporção é uma estimativa e não uma estatística oficial das autoridades paraguaias. (O Presente Rural)

Produção paraguaia cresceu, mas rentabilidade caiu

O momento chama atenção porque a suinocultura paraguaia vem ampliando sua capacidade produtiva. O país produziu cerca de 13 mil toneladas em 2007 e chegou a aproximadamente 90 mil toneladas projetadas para 2025. No último ano, foram abatidos quase um milhão de suínos.

Paralelamente, o Paraguai vem conquistando espaço no mercado internacional. No primeiro semestre de 2026, as exportações de carne suína chegaram a 8.721 toneladas, movimentando US$ 25,54 milhões, crescimento de 11,36% em relação ao mesmo período anterior.

Em julho, o país também realizou seu primeiro embarque de carne suína para as Filipinas, com 27 toneladas.

Preocupação também é sanitária

Para as entidades do setor, o avanço do comércio ilegal não representa apenas uma ameaça à rentabilidade das granjas. A circulação de animais sem origem e identificação conhecidas pode dificultar o controle sanitário e a rastreabilidade da cadeia.

A preocupação ganha ainda mais importância diante da estratégia paraguaia de ampliar sua participação no mercado internacional de carne suína, que exige padrões cada vez mais rigorosos de controle e rastreabilidade.

A APPC defende o reforço da fiscalização nas fronteiras, controles sanitários e aduaneiros mais rígidos e o uso de tecnologias capazes de identificar movimentações ilegais.

O caso também chama atenção para os efeitos que o comércio clandestino pode provocar sobre as cadeias produtivas dos dois países, especialmente em regiões de fronteira. Para os produtores paraguaios, a combinação entre queda nas remunerações, custos elevados e concorrência considerada irregular aumenta o risco de saída de pequenos e médios produtores da atividade.

As informações sobre o impacto do contrabando e a estimativa do fluxo de animais são atribuídas à Associação Paraguaia de Produtores de Suínos e não representam, necessariamente, dados oficiais das autoridades paraguaias. (O Presente Rural)

Fonte: O Presente Rural.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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