A ocorrência de condições climáticas semelhantes às do El Niño de 2023/24 pode reduzir em 9,7% a produção brasileira de soja na safra 2026/27, segundo estudo da Serasa Experian. A diferença entre os cenários climáticos analisados equivale a 17,6 milhões de toneladas, ou aproximadamente 293 milhões de sacas.
A preços de outubro de 2026, o volume potencialmente afetado representa cerca de R$ 33 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP) da soja. A estimativa considera preços constantes e não representa uma previsão de perda financeira efetiva.
Área maior não garante safra recorde
O estudo projeta que a área plantada com soja alcance 49,9 milhões de hectares em 2026/27, crescimento de 1,8% em relação à temporada anterior.
Mesmo com a expansão, a produção estimada varia conforme as condições climáticas. No cenário baseado no El Niño de 2023/24, o volume seria de 163,6 milhões de toneladas. Já no cenário de clima neutro, chegaria a 181,2 milhões de toneladas.
Os números reforçam que o aumento da área cultivada pode não compensar eventuais perdas de produtividade provocadas por condições climáticas adversas.
Mato Grosso e Rio Grande do Sul podem ter resultados opostos
O impacto do El Niño não é uniforme entre as regiões produtoras. Segundo o levantamento, Mato Grosso e Rio Grande do Sul apresentam comportamentos distintos nos cenários analisados.
Em Mato Grosso, a produção estimada cai de 51,2 milhões de toneladas, no cenário neutro, para 41,5 milhões de toneladas sob condições semelhantes às do El Niño de 2023/24. A irregularidade das chuvas e o risco de veranicos podem comprometer o desenvolvimento das lavouras.
No Rio Grande do Sul, o resultado é inverso. A produção projetada aumenta de 16,7 milhões para 22,3 milhões de toneladas no cenário de El Niño, devido à possibilidade de maior disponibilidade hídrica. Entretanto, o excesso de chuva também pode atrasar o plantio e favorecer doenças.
Estimativa não é previsão definitiva
A análise considera a área projetada para 2026/27 e compara produtividades estaduais observadas nas safras 2023/24, marcada pelo El Niño, e 2024/25, sob condições neutras.
Segundo a Serasa Experian, o objetivo é dimensionar os riscos de um cenário climático adverso, e não antecipar o resultado definitivo da próxima safra.
Para o produtor rural, o estudo reforça a importância do planejamento agrícola e do acompanhamento das condições climáticas, especialmente diante dos possíveis efeitos sobre a produtividade e os custos de produção.